A General Motors enfrenta uma realidade incômoda: a Toyota tem chances reais de retomar a liderança em vendas de automóveis nos Estados Unidos, impulsionada pela crescente demanda por seus veículos híbridos a gasolina e eletricidade. Segundo previsão da pesquisadora Cox Automotive, a montadora japonesa deve elevar sua participação de mercado para 15,8% no primeiro semestre deste ano, enquanto a fatia da GM pode cair quase 1 ponto percentual, para 16,8%.

Se os consumidores continuarem migrando para veículos mais eficientes em consumo de combustível, a Toyota pode voltar a ser a maior vendedora de automóveis nos EUA neste ano. "A Toyota tem uma chance", disse Charlie Chesbrough, economista sênior da Cox. "Ainda não estamos prevendo isso, mas é possível. Os consumidores estão interessados em híbridos, e a GM não consegue competir"[2].

Momentos dos híbridos e a nova versão do RAV4

Até maio, as vendas da Toyota de veículos eletrificados — que incluem modelos elétricos a bateria, mas são majoritariamente híbridos — cresceram 5,6% em um mercado que deve cair este ano[2]. Em contraste, as vendas do setor de picapes grandes e SUVs — onde GM e Ford são mais fortes — estão em queda, já que a guerra com o Irã elevou o preço médio da gasolina para quase US$ 4 por galão.

A Toyota iniciou nesta semana a produção da nova versão de seu modelo mais vendido, o RAV4, que agora é oferecido apenas como híbrido, em sua fábrica perto de Lexington, no Kentucky. Para aliviar a falta do SUV compacto, a montadora japonesa pretende aumentar a produção nos EUA para 100 mil veículos neste ano, somando-se às importações do Canadá e do Japão[2].

A Toyota oferece versões híbridas em mais de 20 modelos nos EUA. A GM tem apenas o Corvette eletrificado, e a Ford oferece híbridos apenas em versões da Maverick, da F-150 e do SUV Lincoln Nautilus[2]. "A Toyota manteve a ideia de que você precisa de um portfólio amplo", disse Chesbrough. "Eles têm carros médios, compactos. As Três de Detroit estão focadas em veículos mais específicos"[2].

Liderança histórica e aposta arriscada em elétricos

Uma eventual ultrapassagem da Toyota sobre a GM no próprio mercado doméstico da montadora de Detroit marcaria uma mudança histórica. A GM ocupa a liderança desde 1931, quando ultrapassou a Ford Motor Company, tendo perdido a posição apenas uma vez — em 2021 — em um cenário atípico provocado pela escassez global de semicondutores[2].

Uma troca de liderança também evidenciaria os efeitos da aposta arriscada da CEO Mary Barra em veículos elétricos em detrimento dos híbridos, já que a maioria dos consumidores americanos tem resistido à transição total para o elétrico. A GM fez sua grande aposta em veículos elétricos em um momento em que as vendas e as ações da Tesla disparavam e reguladores ao redor do mundo endureciam regras de emissões[2].

"Para os elétricos, isso agradava Wall Street", disse Stephanie Valdez Streaty, diretora de insights da indústria na Cox. "A ideia era alcançar uma valorização como a da Tesla"[2].

Resposta da GM e projeções futuras

Chesbrough espera que a GM reaja. "Eles vão usar incentivos para tentar manter a liderança", afirmou[2]. Um porta-voz da GM, Jim Cain, contestou a ideia de que a montadora aumentaria incentivos para manter a liderança sobre a Toyota. A empresa afirma que tem evitado descontos como parte de uma estratégia para maximizar lucro e fluxo de caixa, mantendo os incentivos abaixo da média do setor nos últimos três anos[2].

"Nosso histórico fala por si em termos de disciplina em produção, preços e incentivos", disse Cain[2].

A Cox projeta que a participação da Ford cairá para 12,6% no primeiro semestre de 2026, enquanto a Hyundai deve subir para cerca de 11,7%, o que pode colocar a Ford em risco de perder a terceira posição para a sul-coreana Hyundai Motor Company, que oferece vários modelos híbridos[2].

Um porta-voz da Toyota não comentou imediatamente se a montadora está no caminho para assumir a liderança de vendas nos EUA[2].