Duas fintechs brasileiras especializadas em transações internacionais e comércio exterior realizaram novas captações de investimentos, totalizando R$ 212 milhões. A Trace Finance, focada em infraestrutura de pagamentos transfronteiriços e câmbio, levantou aproximadamente R$ 162 milhões, enquanto a Vixtra, que visa ser o “banco dos importadores”, reuniu R$ 50 milhões. Os anúncios foram feitos nesta quarta-feira (17/6/2026).

A Trace Finance captou recursos em uma rodada série A liderada pela CoinFund, com participação de Coinbase Ventures, Haun Ventures, Valor Capital, Jump Capital, Paxos, HOF Capital e outros. O capital será utilizado para escalar sua infraestrutura de pagamentos global nos Estados Unidos e em mercados emergentes, ampliando a capacidade de transações e estendendo a infraestrutura para novos corredores regulados. Bernardo Brites, cofundador e CEO da empresa, afirmou que a rodada permitirá avanços em compliance, liquidação e conectividade bancária, integrando sua tecnologia à liquidação digital de grandes empresas, bancos internacionais e plataformas de pagamento confiáveis. A fintech já processou mais de US$ 10 bilhões em volume transfronteiriço desde suas primeiras expansões na América Latina.

A Vixtra, que oferece soluções de pagamento e financiamento em reais com menor risco cambial e burocracia para médias empresas com importação anual de até US$ 10 milhões, levantou os R$ 50 milhões em uma rodada série A liderada pela Valor Capital. Também participaram da rodada fundos como Headline, NXTP, Actyus, Blustone, Simma Capital e investidores-anjo. O recurso será aplicado no fortalecimento do ecossistema de trade banking, com foco na construção de infraestrutura baseada em stablecoins, integrada às operações de câmbio e crédito. Leonardo Baltieri, fundador e co-CEO da Vixtra, comparou o impacto das stablecoins no comércio exterior ao do Pix nos pagamentos domésticos, afirmando que será o “Pix do importador”.

Desde sua fundação em 2022, a Vixtra já captou R$ 150 milhões em seu Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), mais R$ 30 milhões em rodada pré-série A e R$ 53 milhões em equity. Nos últimos 12 meses, a empresa cresceu 2,5 vezes, ultrapassando US$ 12 milhões em receita recorrente anual (ARR), com mais de R$ 250 milhões em carteira de crédito ativa e mais de 200 importadores ativos em sua plataforma.

As duas fintechs representam um avanço significativo na modernização do setor financeiro brasileiro, especialmente na área de comércio exterior e transações internacionais, com foco em tecnologia, eficiência e redução de custos para empresas de médio porte.