O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção de um vídeo publicado pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), que relacionava aliados investigados na Operação Unha e Carne da Polícia Federal ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência[1]. A decisão liminar foi assinada pela ministra Estela Aranha, atendendo a ação apresentada pelo Partido Liberal (PL), e atingiu também conteúdos de outros parlamentares de oposição, páginas progressistas e perfis de militância digital que repercutiam a operação[1][4].
O vídeo censurado mencionava nomes como Alessandro Pitombeira, ex-secretário estadual apontado como aliado político de Flávio Bolsonaro, e Thiego Raimundo dos Santos Silva (TH Joias), ex-deputado estadual do Rio de Janeiro preso por tráfico e lavagem de dinheiro na Operação Zargun e acusado de envolvimento com o Comando Vermelho[1]. Embora o material não afirmasse que o senador integra a organização criminosa, a ministra entendia que o vídeo construía uma “teia” de associações capaz de induzir o eleitorado à conclusão de que Flávio Bolsonaro estaria diretamente ligado ao Comando Vermelho[1].
A magistrada argumentou que o parlamentar não é investigado, indiciado ou denunciado na Operação Unha e Carne e que as publicações extrapolariam os limites da crítica política ao associá-lo a organizações criminosas sem lastro fático suficiente[1]. Com isso, determinou a remoção dos conteúdos em até 24 horas, sob pena de multa diária, e proibiu novas publicações substancialmente idênticas até nova análise do caso pelo plenário do tribunal[1][4].
A medida reacendeu o debate sobre os limites da liberdade de expressão política durante o período pré-eleitoral, com críticos questionando se a decisão do TSE pode ser entendida como censura ou abuso do direito à expressão[1][2]. A liminar ainda será submetida à avaliação do plenário da Corte, que poderá manter ou rejeitar a decisão provisória[4].
Em paralelo, o TSE também emitiu ordem para retirar do ar postagens que ligavam Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, decisão embasada no voto do ministro André Mendonça, que tipificou o episódio como abuso do direito à liberdade de expressão e desinformação eleitoral[3].
