Um tubarão-branco jovem (Carcharodon carcharias) foi capturado acidentalmente em 2023 na costa de Alicante, no Mediterrâneo espanhol, em um evento considerado excecionalmente raro para a região[1][2]. O exemplar, com cerca de dois metros e entre 80 e 90 quilos, morreu ao ficar preso nos equipamentos de pesca da embarcação e foi imediatamente analisado por pesquisadores do Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO-CSIC), em colaboração com a Universidade de Cádiz (UCA)[1].
A análise genética confirmada por José Carlos Báez, investigador do IEO-CSIC, identificou o animal como jovem e revelou que ele estava possivelmente desorientado, perdido ou doente — uma condição comum quando tubarões-brancos se aproximam da costa[1]. Desde meados do século XIX até 2023, foram registrados apenas 66 avistamentos da espécie no Mediterrâneo, sendo os encontros por humanos extremamente raros[1].
Os cientistas revisitaram dados históricos de 1862 a 2023 para identificar outros encontros da espécie na região, confirmando que, apesar de já terem sido vistos, os registros são poucos[1]. Essa escassez levou os pesquisadores a classificar os tubarões-brancos do Mediterrâneo como uma população 'fantasma', que ainda existe e pode estar se multiplicando[1].
O achado do exemplar jovem é um sinal importante, pois indica que a população 'fantasma' não só persiste, mas também pode estar se reproduzindo[1]. Atualmente, o tubarão-branco é classificado como 'vulnerável' pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o que preocupa os cientistas[1]. A espécie é fundamental para a cadeia alimentar marinha e para a manutenção do equilíbrio ecológico[1].
Segundo Báez, a pesquisa ajuda a substituir mitos infundados por uma compreensão genuína da biologia e ecologia do tubarão-branco, destacando que esses animais desempenham um papel fundamental nos ecossistemas marinhos[1]. Os resultados foram publicados na revista Acta Ichthyologica et Piscatoria em janeiro de 2026, sob liderança de instituições espanholas e em parceria com a Universidade Autônoma do Chile[1].
Fonte original: Metrópoles – Ciência.
