Com mais de 150 mil visitantes, o país sul-americano registra o maior número de brasileiros em um mês, injetando força em uma economia em desaceleração.
O Chile viveu um mês de julho histórico para o turismo, impulsionado pela chegada massiva de visitantes do Brasil. A reabertura das estações de esqui e as intensas nevascas transformaram a Cordilheira dos Andes em um destino irresistível para quem busca o frio e a neve, gerando um recorde no fluxo de turistas brasileiros.
Mais de 150 mil brasileiros desembarcaram no país andino no mês passado, marcando o maior volume registrado para qualquer mês e representando cerca de 40% de todos os turistas estrangeiros. Esse número representa um aumento de 6,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme revelado pela subsecretária de Turismo do Chile, María Paz Lagos.
A expressiva presença brasileira injeta um fôlego bem-vindo ao setor de turismo chileno e à economia do país, que enfrenta dificuldades e uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) pelo segundo trimestre consecutivo. O fluxo ajuda a compensar a redução na chegada de turistas de outras nacionalidades, especialmente os argentinos.
Férias de Inverno: Brasil no Topo dos Visitantes do Chile
A estratégia chilena de atrair mercados com maior poder de consumo está colhendo frutos, e os brasileiros se consolidaram como um pilar essencial para o turismo local. Os mais de 150 mil visitantes em julho superaram todas as expectativas e representam um marco na diversificação do perfil de turistas do país.
Segundo María Paz Lagos, a subsecretária de Turismo, a forte presença dos brasileiros foi crucial para o recorde. Enquanto outros mercados, como o argentino, mostram uma queda na chegada de visitantes, os brasileiros demonstram um interesse crescente por experiências de inverno na Cordilheira dos Andes, especialmente após as nevascas.
Essa mudança estratégica visa reduzir a dependência de turistas de menor poder aquisitivo, como os argentinos, que tradicionalmente buscam destinos de praia mais baratos e lotam o Chile durante o verão. O foco agora é em visitantes que não apenas chegam em grande número, mas também gastam mais durante a estadia.
O Poder de Compra do Turista Brasileiro no Chile
O turista brasileiro não apenas visita o Chile, mas também investe significativamente na economia local. Em uma estadia média de sete dias, cada brasileiro gasta cerca de US$ 800, um valor expressivo que supera a média geral de US$ 640 entre todos os turistas estrangeiros.
María Paz Lagos ressalta que os brasileiros têm uma “forte participação em gastronomia, vinhos e compras”, aproveitando toda a cadeia de serviços turísticos. Essa preferência por experiências mais completas é um diferencial, contribuindo diretamente para o faturamento de diversos setores.
Comparativamente, turistas de mercados de longa distância, como australianos e europeus, tendem a gastar ainda mais, superando os US$ 1.000 por estadia. No entanto, o volume de brasileiros garante um impacto econômico considerável, e o crescimento desses mercados de longa distância também é uma “notícia positiva”, segundo a subsecretária.
Neve e Economia: Um Alívio em Meio à Tempestade no Chile
A chegada abundante de neve na Cordilheira dos Andes, especialmente na região de Santiago, onde estão as principais estações de esqui, foi um divisor de águas. Após um primeiro semestre com pouca chuva, as tempestades de inverno desde o início de julho transformaram a paisagem e atraíram imediatamente os turistas.
Embora as receitas em moeda estrangeira geradas pelo turismo estejam atualmente 6% menores, o aumento nos gastos dos visitantes de maior poder aquisitivo deve compensar grande parte da queda no número total de visitantes até o fim do ano. Isso é fundamental para uma economia que viu seu PIB cair inesperadamente pelo segundo trimestre consecutivo.
Guillermo Prieto, presidente da associação chilena de gastronomia, estima uma queda de 20% nos gastos de turistas com alimentação e bebidas no primeiro trimestre, com fraqueza mantida no segundo e início do terceiro. Ele afirma que “julho definitivamente pareceu mais fraco, com vendas menores”, o que indica a preocupação no mercado, apesar do boom brasileiro.
Futuro do Turismo Chileno: Metas e Sustentabilidade para o Setor
Diante do cenário de desafios e oportunidades, o governo chileno tem planos ambiciosos para o turismo. A meta é quadruplicar o investimento privado anual no setor nos próximos quatro anos, partindo de cerca de US$ 400 milhões em 2025.
Além disso, espera-se a criação de 100 mil novos empregos ligados ao turismo e o aumento da participação do setor no PIB em aproximadamente 1 ponto percentual, para cerca de 4%. A visão de María Paz Lagos para o futuro é de um turismo mais sustentável e de qualidade.
A estratégia do país, segundo Lagos, é “medir o sucesso não apenas pelo volume de turistas, mas também pelos gastos, pelo tempo de permanência e pelo número de regiões beneficiadas”. Esse foco em um turismo economicamente mais sustentável busca diversificar os benefícios por todo o território chileno.
Perguntas Frequentes
Quantos turistas brasileiros visitaram o Chile em julho?
Em julho, mais de 150 mil turistas brasileiros visitaram o Chile, estabelecendo um recorde mensal e representando cerca de 40% de todos os visitantes estrangeiros no país.
Qual o impacto dos turistas brasileiros na economia chilena?
Os turistas brasileiros injetam um impulso significativo na economia chilena, gastando em média US$ 800 por estadia de sete dias. Eles contribuem fortemente para os setores de gastronomia, vinhos e compras, ajudando a compensar a queda no número de visitantes de outras nacionalidades.
Por que o Chile tem buscado atrair turistas de maior poder aquisitivo?
O Chile busca atrair turistas com maior poder aquisitivo para reduzir a dependência de mercados mais baratos, como o argentino, e aumentar a receita gerada pelo turismo. A estratégia foca em visitantes que gastam mais em serviços e experiências, contribuindo para um turismo mais rentável e sustentável.
Quais os planos do Chile para o futuro do turismo?
O governo chileno planeja quadruplicar o investimento privado anual em turismo nos próximos quatro anos, criar 100 mil novos empregos e aumentar a participação do turismo no PIB para cerca de 4%. A meta é promover um turismo economicamente sustentável, focado em gastos, tempo de permanência e distribuição de benefícios por diversas regiões.
