A União Europeia e representantes do governo do Talibã realizaram suas primeiras negociações técnicas em Bruxelas nesta terça-feira, 23, com foco na possível repatriação de imigrantes afegãos. O encontro, que contou com cerca de quinze Estados-membros da UE, foi descrito por um funcionário afegão anônimo como "construtivo", com expectativas de "desenvolvimentos positivos"[1][3].

Markus Lammert, porta-voz da Comissão Europeia, confirmou a reunião entre representantes de países europeus e as "autoridades afegãs de fato", responsáveis pelo retorno e readmissão dos imigrantes. A UE busca priorizar o retorno ao Afeganistão de indivíduos que representam ameaça à segurança e criminosos de crimes graves[2].

Desde seu retorno ao poder em 2021, após 20 anos de guerra e a retirada precipitada das forças americanas, o Talibã nunca foi reconhecido pela UE. No entanto, o comissário europeu de Migração, Magnus Brunner, afirmou: "Não vamos reconhecer o regime talibã, de forma alguma, mas acredito que ainda assim é importante falar com eles"[2].

A reunião permitiu dar seguimento às discussões técnicas que ocorreram em Cabul em janeiro de 2026, especialmente sobre identificação de repatriados, emissão de documentos de viagem e seu retorno. Entre 2013 e 2024, a UE recebeu quase um milhão de pedidos de asilo de afegãos, com cerca de metade aprovada[2].

A iniciativa foi fortemente criticada por organizações não governamentais e ativistas. Malala Yousafzai expressou estar "chocada" com a visita e acusou os talibãs de perseguir mulheres. A Human Rights Watch denunciou que a cooperação da UE com o Talibã em deportações forçadas mina sua credibilidade[2].

A AFP, agência de notícias francesa fundada em 1835 como Agência Havas, relatou os detalhes do encontro, destacando o jornalismo crítico e inteligente que acompanha diariamente o tema.