O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que **680 mil crianças** na Venezuela necessitem de assistência humanitária após os devastadores terremotos que atingiram o país em 24 de junho, com magnitudes de 7,2 e 7,5[1][2]. Os abalos sísmicos, ocorridos com apenas um minuto de diferença, são considerados o mais graves em quase um século na região, deixando um rastro de destruição que afetou cerca de 1,8 milhão de pessoas, das quais quase 40% são crianças[1][6].

As consequências da tragédia incluem a **situação crítica dos hospitais** em Caracas e nos estados de La Guaira, Carabobo, Aragua e Falcón, que operam com capacidade reduzida devido a danos estruturais, comprometendo o atendimento a crianças e gestantes[2]. Na região de Catia La Mar, no estado de La Guaira, quase um terço das edificações foi destruído, e milhares de crianças não têm acesso confiável à água potável[1][2]. Além disso, **432 escolas** foram danificadas — mais de um terço do total na região atingida — enquanto as unidades intactas foram adaptadas para funcionar como abrigos temporários para famílias desalojadas[2].

O representante do Unicef na Venezuela, Manuel Rodríguez Pumarol, destacou que os hospitais estão operando acima de sua capacidade e que a dimensão das necessidades se tornou mais clara após os primeiros dias de resposta[1][2]. Para viabilizar a operação de emergência, que já mobiliza equipes e suprimentos médicos para cerca de 650 mil pessoas (incluindo 234 mil crianças), a agência estima a necessidade de **US$ 52 milhões**[1][2]. Até o momento, o Unicef já mobilizou US$ 3,5 milhões de seus fundos de emergência para o envio inicial de ajuda, incluindo uma carga de 20 toneladas de suprimentos médicos que chegou ao país e outra prevista para chegar de Copenhague nos próximos dias[1][2].

A situação permanece instável, com a ocorrência de um novo terremoto de magnitude 4,6 registrado em 29 de junho, com epicentro em Carabelleda, no estado de La Guaira, o mais afetado pelo duplo abalo[2]. O tremor foi sentido também na capital, Caracas, reforçando a urgência de financiamento contínuo para sustentar a resposta humanitária nas próximas semanas[1][2].