Um composto bioativo produzido pela microbiota intestinal após a digestão de alimentos como romã, nozes e frutas vermelhas pode fortalecer a barreira intestinal e reduzir danos causados por doenças inflamatórias. A descoberta, feita por pesquisadores da Universidade de Louisville (EUA) e publicada na revista Nature Communications, identifica a urolitina A (UroA) como a substância responsável por esse efeito protetor[1][3].

A urolitina A é formada quando bactérias específicas do intestino metabolizam elagitaninos e ácido elágico — polifenóis presentes nos alimentos mencionados. Segundo os autores do estudo, ela ativa um mecanismo natural de proteção que fortalece a barreira intestinal e favorece o reparo dos tecidos lesados, sendo especialmente relevante para pessoas com doença de Crohn e retocolite ulcerativa, as principais formas de doença inflamatória intestinal[1][2].

Como a urolitina A atua no intestino

O intestino possui uma camada de células que funciona como uma barreira, impedindo a passagem de bactérias e substâncias nocivas, ao mesmo tempo em que permite a absorção de nutrientes. Nas doenças inflamatórias intestinais, essa barreira fica comprometida, favorecendo inflamação persistente, dor e complicações[1][3].

A urolitina A ativa uma proteína chamada receptor de hidrocarbonetos arílicos (AHR) especificamente nas células que revestem o intestino. Essa ativação desencadeia o mecanismo inflamassoma NLRP6. Embora inflamassomas sejam geralmente associados à inflamação, neste caso o efeito foi protetor: a ativação estimulou a produção de muco, reforçou a barreira intestinal, favoreceu o reparo do tecido lesionado e fortaleceu as defesas naturais contra microrganismos nocivos[1][2].

Os cientistas concluem que algumas vias relacionadas à inflamação também podem exercer funções importantes na proteção do organismo quando ativadas nas células corretas[2].

Testes em células e tecidos humanos confirmam os resultados

Para validar os achados, a equipe realizou experimentos com células cultivadas em laboratório, organoides e amostras de tecido intestinal de pessoas com doença inflamatória intestinal. Em todos os modelos, a urolitina A ativou o mesmo mecanismo de proteção observado nos experimentos iniciais[1][3].

Os pesquisadores afirmam que os resultados ajudam a explicar por que determinados alimentos trazem benefícios ao intestino quando a microbiota é capaz de produzir esse composto durante a digestão[1][2].

Potencial para tratamentos futuros

A descoberta pode contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais específicos para doenças inflamatórias intestinais. Em vez de bloquear o sistema imunológico como um todo, uma estratégia futura seria estimular mecanismos naturais de proteção presentes nas próprias células do intestino[1][2].

No entanto, os pesquisadores destacam que ainda serão necessários mais estudos antes que essa abordagem possa ser aplicada em pacientes[1][3].

Além da proteção intestinal, a urolitina A também é conhecida por estimular a mitofagia — processo de limpeza e reciclagem de mitocôndrias danificadas — o que melhora a função mitocondrial, a força muscular e reduz o estresse oxidativo e inflamação crônica, com efeitos benéficos em cérebro, coração e pele[1][2][4].