Em uma declaração que pode redefinir as negociações de paz no Oriente Médio, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou nesta segunda-feira (22/6) que o Irã concordou em permitir que inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) monitorem seu programa nuclear[3]. A afirmação foi feita por Vance enquanto ele participava de conversas em Burgenstock, na Suíça, onde delegações norte-americanas e iranianas buscam um acordo para o fim da guerra[3].

Vance, que representa o presidente Donald Trump, relatou aos repórteres no local que as negociações tiveram "grandes progressos" e que espera que as conversas sobre as inspeções nucleares comecem já nesta semana[3]. O vice-presidente expressou sua esperança de que as delegações alcancem um "acordo final e uma solução permanente", destacando que todos devem comemorar os avanços, especialmente em relação à data de início dos trabalhos dos inspetores[3].

No entanto, o Irã ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema, mantendo uma postura de silêncio em relação à alegação de Vance[3]. De fato, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou anteriormente que o país não realizou nenhuma reunião com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na Suíça e não planeja permitir que o órgão de fiscalização da ONU inspecione suas instalações nucleares, que foram danificadas pelos ataques de guerra contra os EUA[2].

Esta exigência de inspeção é uma das condições fundamentais dos Estados Unidos para um acordo de paz, conforme reiterado pelo presidente Trump, que insiste que o Irã deve abandonar qualquer intenção de produzir armas nucleares[2]. O Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), mas, desde o ano passado, suspendeu a inspeção da agência da ONU após ataques de EUA e Israel a instalações nucleares persas[3].

Trump, em sua rede social Truth Social, reforçou a posição de que a aceitação das vistorias foi uma condição para a continuidade das negociações e para a reabertura do Estreito de Ormuz sem novos bloqueios navais[2]. Ele afirmou: "Se eles não concordassem com isso, não haveria mais negociações!"[2]. Ambos os países comprometeram-se a resolver esses problemas, incluindo a reabertura do Ormuz, em até 60 dias através de múltiplas rodadas de negociações com ajuda de mediadores[2].

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), agência da ONU, já aprovou uma resolução que exige que o Irã permita a verificação de seu estoque de urânio enriquecido e o acesso total de inspetores às instalações nucleares, considerando a medida "essencial e urgente"[1]. O diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, anteriormente sinalizou que a decisão do Irã de retomar a cooperação seria encorajadora, embora o chefe da agência tenha também alertado que o Irã poderia reiniciar o enriquecimento de urânio "em questão de meses" se não houvesse garantias de segurança para os inspetores[5].