As operações de resgate e ajuda humanitária continuam na Venezuela nesta terça-feira (30), cinco dias após dois terremotos devastadores de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o norte do país, deixando pelo menos 1.719 mortos, mais de 5.000 feridos e cerca de 15.800 pessoas desabrigadas[3]. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o risco imediato de epidemias de coqueluche, sarampo e difteria, enquanto agências da ONU relatam escassez crítica de alimentos e colapso dos serviços básicos nas áreas mais afetadas, como La Guaira e Caracas[1][3].
A NASA estima que mais de 58.870 edifícios foram danificados ou destruídos, segundo avaliação preliminar de imagens de satélite[3]. O governo venezuelano, que decretou estado de emergência, contabiliza 855 prédios afetados, incluindo 189 que desabaram completamente[3]. A crise humanitária é agravada pela lentidão da ajuda oficial: a população, já em revolta, enfrenta escassez generalizada de comida e a falta de colchões, com muitos dormindo no chão nas ruas[3].
Para acelerar o fluxo de suprimentos, os Estados Unidos reativaram na segunda-feira o porto de La Guaira, um dos mais importantes da região, enquanto 27 países mobilizaram mais de 2.000 resgatistas e 160 cães de busca[3]. Apesar da janela crítica de 72 horas para sobreviventes ter se encerrado, milagres ainda ocorrem: um jovem de 21 anos, Aarón Levi, foi resgatado em Tanaguarena na segunda-feira[3]. No entanto, a esperança de encontrar mais vivos sob os escombros é remota após cinco dias, e a ajuda humanitária agora se concentra em milhares de desabrigados[3].
A tragédia, considerada o maior terremoto registrado na América Latina no último século, deixou necrotérios improvisados, crematórios operando na capacidade máxima e famílias aguardando corpos de parentes desaparecidos[3]. A ONU fornecerá 10.000 sacos mortuários, mas espera que o balanço final seja inferior ao atual[3]. O custo material estimado é de 6,7 bilhões de dólares (R$ 34,6 bilhões), representando 6% do PIB do país petroleiro[3].
Fonte: Carta Capital – Mundo.
