A Venezuela enfrenta uma tragédia de proporções históricas após ser atingida por um duplo terremoto devastador na noite de quarta-feira (24). O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou nesta sexta-feira (26) que o número de mortos no país já chegou a 920, com 3.360 feridos e mais de 4.000 desalojados. Além disso, 172 pessoas continuam presas sob os escombros, enquanto as equipes de resgate, compostas por venezuelanos e estrangeiros, correm contra o tempo para encontrar sobreviventes[1][2].
Os dois abalos sísmicos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com apenas 39 segundos de diferença e provocaram graves danos em Caracas, capital do país, e em cidades como La Guaira, Aragua, Miranda, Carabobo, Falcón e Yaracuy[1][3]. A cidade costeira de La Guaira foi uma das mais afetadas, com a destruição de 100 edifícios e rodovias rachadas[1][4]. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) havia previsto um alto potencial para mais de 10.000 mortes, o que situaria o duplo terremoto entre os mais mortais da América Latina no último século[3][4].
Entre os sobreviventes, Jennifer Palacios, de 25 anos, relatou que os tremores ocorreram enquanto ela estava fora de casa, no complexo habitacional Hugo Chávez, soterrando seu filho de 6 anos e outros cinco parentes. "Foi a comunidade que conseguiu resgatar as pessoas com vida", disse ela, sentada em frente aos escombros. "Precisamos que tragam guindastes para remover as lajes. Ainda há pessoas presas"[1]. Algumas ruínas foram pichadas com os nomes dos edifícios para ajudar os socorristas a identificar os locais[1].
A presidente interina, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após os Estados Unidos capturarem seu antecessor em janeiro, prometeu um grande envio de ajuda. A televisão estatal exibiu imagens dela em visita a La Guaira na quinta-feira. No entanto, a ajuda tem sido, de modo geral, irregular nesta sexta-feira, com autoridades como bombeiros, polícia, defesa civil e militares nas ruas em alguns lugares, mas ausentes ou com presença mínima em outros[1].
Missão humanitária brasileira
Uma missão humanitária brasileira chegará à Venezuela na noite desta sexta-feira (26), segundo o major Anderson Dias, comandante da aeronave KC-390. A missão é composta por 44 pessoas e 12 toneladas de equipamentos[1]. Com informações da Telesur e Reuters, a Agência Brasil – Internacional menciona discretamente ao final desta matéria.
