Um cenário de destruição e dor tomou conta da Venezuela na noite de quarta-feira (24), quando dois terremotos consecutivos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram o norte do país com menos de um minuto de diferença entre eles. Os abalos, os mais fortes registrados no território venezuelano desde 1900, reduziram prédios a pó, racharam estruturas e desencadearam pânico generalizado entre a população, que correu para se proteger.
Até a manhã de quinta-feira (25), o governo interino confirmou **188 mortos** e **1.520 feridos**, incluindo diversas crianças resgatadas dos escombros. A região mais castigada foi **La Guaira**, cidade costeira vizinha de Caracas e que abriga o principal aeroporto do país, o qual foi interditado devido aos graves danos estruturais. Na localidade, a Agência AFP relatou incidentes de saques, enquanto moradores desesperados gritavam nomes de familiares desaparecidos sob os escombros.
A presidente interina **Delcy Rodríguez**, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, decretou **estado de emergência nacional** e declarou La Guaira como "zona de desastre". O governo suspendeu aulas e serviços não essenciais, desligou redes de gás e eletricidade em áreas afetadas e mobilizou a Defesa Civil. A presidente afirmou ter conversado com o coordenador da ONU no país e que equipes especializadas de resgate já estão a caminho para apoiar as buscas.
A solidariedade internacional foi imediata. O presidente dos EUA, **Donald Trump**, prometeu ajuda aos "novos e grandes amigos" da Venezuela, enquanto seu secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou a mobilização de equipes de busca, recursos médicos e assistência humanitária. Outros países como **Chile, México, Espanha, Alemanha, Itália, Suíça, China, Índia e a União Europeia** também ofereceram assistência. O papa Leão XIV destinou uma ajuda emergencial de mais de 100 mil dólares.
Em Catia La Mar, setor do estado de La Guaira, moradores relataram ouvir uma menina presa viva sob os escombros por horas, mas ela morreu poucos minutos antes do resgate. "Foi terrível. Tudo desabou", disse Yilsmaris Blanco à AFP, enquanto observava o caos. "Estamos vivos, mas há pessoas que agora estão sofrendo com seus familiares soterrados". O mundo sísmico venezuelano, que não registrava grandes terremotos desde 1997 (73 mortos em Cariaco) e 1967 em Caracas (236 vítimas), enfrenta agora sua maior crise natural em mais de um século.
Os tremores foram sentidos até na **Colômbia**, onde alarmes foram acionados, e em cidades do norte do Brasil. Desde o evento, o governo venezuelano registrou mais de **30 réplicas**. Enquanto o aeroporto internacional permanece fechado, Caracas conta com uma base aérea interna para receber as equipes de resgate que já estão em trânsito. A população, muitas vezes dormindo nas ruas ou em carros, aguarda ansiosamente a chegada de ajuda militar e humanitária para superar o trauma e a perda.
