O vereador Senival Moura (PT) foi preso na manhã de quinta-feira (25) durante a Operação Última Parada, deflagrada pelo MPSP e pela Polícia Civil, por suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público de São Paulo[1][2]. A operação revelou que o PCC supostamente operava o esquema por meio da empresa de ônibus Transunião, que ganhou a concessão para operar 50 linhas na capital paulista[2].
Senival Moura foi detido no apartamento onde mora, no Tatuapé, zona leste de São Paulo[3]. A Polícia Civil paulista identificou que o vereador possui um sítio em Extrema (MG), considerado de "elevado padrão", e cinco outros imóveis em São Paulo, com valor total estimado em ao menos R$ 3,6 milhões[1]. Entre os imóveis, há um apartamento no Tatuapé (valor mínimo de R$ 1,6 milhão), um na Vila Madalena (R$ 585 mil), outro na Vila Maria (R$ 430 mil), um em Juquehy (R$ 800 mil) e o sítio rural em Extrema (ao menos R$ 200 mil)[1].
Os investigadores destacam mensagens que revelam valores acertados "com o presidente" em "Extrema", onde "presidente" seria um dos apelidos do vereador e "Extrema" se refere à cidade do sul de Minas Gerais, onde Senival Moura tem o sítio[1]. Além de "presidente", o vereador também foi chamado de "veio" em conversas entre Leonel Moereira Martins, apontado como operador financeiro do esquema, e Adauto Soares Jorge, ex-diretor-presidente da Transunião, assassinado em 2020[1].
Senival Moura declarou a aquisição do apartamento no Tatuapé à Justiça Eleitoral por R$ 820 mil em 2024, mas sua defesa informa que a unidade foi comprada na planta por cerca de R$ 600 mil, em pagamento parcelado[1]. O sítio em Extrema foi declarado como "terreno rural" no valor de R$ 200 mil nas eleições de 2024, embora a defesa afirma que a residência foi construída aos poucos há cerca de 20 anos[1].
A Polícia Civil aponta que os ativos imobiliários do vereador representam patrimônio substancialmente superior àquele normalmente associado à remuneração formalmente conhecida de Senival Moura enquanto vereador, que é de R$ 26 mil atualmente[1]. A reportagem levantou ao menos R$ 3,6 milhões em cinco imóveis, mas não contabilizou um apartamento revelado pelo Metrópoles, sobre o qual o vereador é cobrado pela prefeitura por não pagar IPTU e alega que não tem dinheiro para arcar com as custas do processo[1].
A pedido do próprio parlamentar, o PT afastou temporariamente Senival Moura do partido para que ele possa se concentrar em sua defesa[5]. O caso dele será julgado pelo comitê de ética do diretório municipal da sigla, que decidirá se o vereador vai continuar filiado ao PT[5].
Fonte original: Metrópoles – São Paulo.
