Em uma operação conjunta do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo e do Deic (Departamento de Investigações Criminais) da Polícia Civil, o vereador do PT Senival Moura foi preso nesta quinta-feira (25) sob acusação de integrar esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio da empresa de transporte coletivo Transunião. A ação, batizada de Operação Última Parada, investiga a infiltração da facção criminosa no transporte público de São Paulo e marca a primeira prisão de um vereador da capital ligada a tal esquema.

Senival Moura, que ocupa o cargo de 1º secretário da Câmara Municipal, é suspeito de exercer o "controle tático" da gestão financeira da Transunião, mesmo sem integrar oficialmente o quadro societário da empresa. Segundo a polícia, ele atuava como principal responsável por transformar a companhia em instrumento de lavagem de capitais de indivíduos ligados ao PCC. O presidente da Transunião, Lourival Monário, também foi preso na operação.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias dos investigados, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e 3 embarcações. Também foi decretado o afastamento dos diretores da Transunião, com a direção da empresa passando à SPTrans (Agência de Transporte do Estado de São Paulo). A operação cumpre cinco mandados de prisão temporária e mais de 100 de busca e apreensão em 13 cidades de São Paulo e Minas Gerais.

A investigação começou após o assassinato do ex-presidente da Transunião, Adauto Soares Jorge, em 2020. Durante o inquérito, foram apreendidos um celular e um pendrive que continham planilhas com dados sobre a titularidade dos ônibus e os nomes dos donos reais, revelando uma "dissociação deliberada" entre a titularidade dos veículos e o domínio econômico. Esses documentos serviram de base para a abertura do inquérito atual, em 2022, sobre lavagem de dinheiro do PCC.

Segundo relatórios do Laboratório de Lavagem de Dinheiro (Lab-LD) da Polícia Civil, a Transunião movimentou aproximadamente R$ 545 milhões em créditos e R$ 546 milhões em débitos no período investigado, com intensa pulverização bancária e fragmentação de operações. Além disso, foram identificados R$ 24,7 milhões em créditos sem origem identificada, o que, para os promotores, é incompatível com padrões mínimos de transparência empresarial.

Em 2025, a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões da Prefeitura de São Paulo como remuneração pelo transporte de cerca de 6 milhões de passageiros mensais. A empresa também foi alvo de um empenho de R$ 163 milhões para eletrificação de parte de sua frota, operando 614 ônibus em 57 linhas na zona leste da cidade.

O diretório municipal do PT em São Paulo encaminhou o caso ao Conselho de Ética do Partido, e, dependendo da avaliação, Senival Moura poderia ser expulso do PT. A defesa do vereador ainda não se manifestou sobre as acusações. A empresa e a Prefeitura de São Paulo também foram procuradas pela reportagem, mas não houve retorno até o momento.

A Transunião é a quarta empresa de ônibus da capital investigada por elo com o PCC. Em 2024, durante a Operação Fim de Linha, as empresas Transwolff e UPbus foram alvos da polícia pelo mesmo motivo. A investigação da Transunião começou em 2022 e revela uma série de acusações que se arrastam por quase duas décadas, incluindo assassinatos, extorsões, ladrões de banco e lavagem de dinheiro.