O vereador Senival Moura (PT-SP), de São Paulo, foi preso na manhã desta quinta-feira (25) em uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista [1][2]. A ação, batizada de Operação Última Parada, cumpre cinco mandados de prisão e 104 de busca e apreensão, com foco na empresa de ônibus Transunião, suspeita de ter sido utilizada para movimentar e ocultar recursos da facção criminosa [1].
Segundo as apurações, Moura é suspeito de integrar a estrutura empresarial que, de acordo com o inquérito, teria sido usada para lavar dinheiro do PCC. A investigação começou após o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião, em 2020, quando integrantes da facção o executaram a tiros em uma padaria na zona leste de São Paulo [2]. Desde então, os investigadores reuniram indícios de que a concessionária foi usada para ocultar recursos ligados à organização criminosa [2].
Um dos pontos mais impactantes da apuração é que o vereador chegou a ser jurado de morte pelo PCC por suspeita de desviar recursos do esquema criminoso. No entanto, a Polícia Civil revelou que o grupo desistiu da execução após Moura ressarcir os valores desviados [1]. O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais, Ronaldo Sayeg, afirmou em coletiva que o vereador foi perdoado pelo “partido” em razão do ressarcimento, embora não tenha sido divulgado o montante exato devolvido [1].
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias dos investigados e da empresa, além de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações [1][2]. Entre os alvos da prisão estão também Jair Ramos de Freitas (presidente da Transunião), Devanil de Souza Nascimento (homem de confiança do vereador) e Leonel Moreira Martins (operador financeiro do esquema) [2].
A defesa de Senival Moura negou qualquer envolvimento do vereador com atividades criminosas, afirmando ter recebido a notícia da prisão com indignação [1]. O petista, atualmente em seu sexto mandato, mantía ligação com o grupo enquanto presidia a Comissão de Trânsito e Transporte da Câmara Municipal de São Paulo [1]. A apuração também aponta que integrantes do PCC influenciavam decisões internas da concessionária e direcionavam recursos para membros da organização criminosa [1].
