Um estudo clínico liderado por pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, investiga se altas doses de vitamina B3 (também conhecida como niacina) podem auxiliar no tratamento do glioblastoma, um dos tipos mais agressivos e letais de câncer cerebral. Os primeiros resultados, publicados no Journal of Neuro-Oncology em novembro de 2025, indicam que a estratégia pode aumentar o tempo sem progressão da doença quando combinada aos tratamentos convencionais, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia [1].

Apesar de essas abordagens formar a base do tratamento, o glioblastoma costuma voltar mesmo após a terapia. Segundo os pesquisadores, um dos principais desafios do tumor é sua capacidade de enfraquecer o sistema imunológico, reduzindo a eficácia das células de defesa do organismo contra as células cancerosas [1]. A hipótese central do estudo é que a niacina ajude a riativar essas células imunes, permitindo que elas reconheçam e ataquem o tumor com mais eficiência [1].

Em testes anteriores com camundongos, a vitamina aumentou a sobrevida dos animais, o que motivou o início dos testes em humanos. Até o momento, 24 pacientes participaram da pesquisa, com o objetivo principal de avaliar a segurança do tratamento e verificar se a adição da vitamina poderia melhorar os resultados das terapias tradicionais. Após seis meses de acompanhamento, 82% dos participantes não apresentavam sinais de progressão da doença, o que representa uma melhora de 28% em comparação com estudos anteriores [1].

Os cientistas consideram os dados encorajadores, especialmente porque o glioblastoma continua sendo um dos cânceres mais difíceis de tratar. No entanto, os pesquisadores destacam que ainda é cedo para concluir que a vitamina B3 seja eficaz, pois os resultados foram obtidos em um número limitado de pacientes [1]. O estudo continua recrutando participantes e a expectativa é incluir 48 pacientes até o final de 2026 ou início de 2027, quando será possível realizar uma análise mais completa sobre os benefícios da estratégia [1].

Uma alerta importante é que altas doses de vitaminas podem causar efeitos adversos e não devem ser utilizadas sem acompanchamento médico. Segundo os autores, os resultados indicam que a niacina pode se tornar uma ferramenta adicional no tratamento do glioblastoma, mas sua eficácia ainda precisa ser confirmada em pesquisas maiores [1].

Por ser um problema cada vez mais comum de saúde pública, o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de recuperação. Alguns sinais que podem indicar a presença da doença incluem: perda de peso sem motivo aparente, mudanças persistentes na textura da pele (como caroços), tosse persistente por mais de quatro semanas, modificação no aspecto de pintas, sangue nas fezes ou urina, dores sem motivo aparente que duram mais de quatro semanas, azia forte recorrente e dificuldade para engolir [1].