Moradores do condomínio do ex-presidente em Brasília são autuados por pequenas infrações, como falta de seta e uso de celular ao volante.

Moradores do Condomínio Solar de Brasília, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, estão insatisfeitos com a atuação da Polícia Militar. A viatura responsável pela segurança de Bolsonaro tem aplicado multas por infrações de trânsito em vias internas do residencial, gerando reclamações entre os vizinhos.

Pequenos deslizes, como não sinalizar uma conversão ou usar o celular ao volante, têm resultado em penalidades. As autuações acontecem na via interna entre as quadras 2 e 3 do condomínio no Jardim Botânico, em Brasília, onde Bolsonaro reside atualmente.

A situação tem provocado um misto de irritação e questionamentos sobre a competência da polícia. A administração do condomínio, por outro lado, saiu em defesa da atuação da PM e reforçou a necessidade de cumprir as regras de trânsito, conforme informação divulgada por Metrópoles – Brasil.

A Razão das Autuações e a Prisão Domiciliar

A presença da viatura da Polícia Militar no condomínio está diretamente ligada à segurança estrutural da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. O ex-presidente está cumprindo pena de 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma trama golpista, uma decisão judicial que exige a escolta policial.

No entanto, a atuação dos agentes tem ido além da vigilância do condenado. Moradores relatam que a viatura, que permanece 24 horas no local, tem se dedicado a autuar os condôminos por infrações cotidianas de trânsito. Este é o ponto central da polêmica entre os vizinhos de Bolsonaro.

A competência para autuar infrações de trânsito é legítima por parte da polícia, mas a alocação de uma unidade permanente para essa finalidade, enquanto poderia estar combatendo o crime em outras áreas, é o que gera incômodo. Um residente chegou a afirmar que a PM estaria “entediada de fazer seu papel de vigiar condenado” e, por isso, multando os moradores.

Reações dos Vizinhos e a Defesa do Condomínio

Prints de mensagens de WhatsApp, acessados pela reportagem, mostram a insatisfação de vários moradores. Uma vizinha de Bolsonaro expressou seu descontentamento: “Eu acho muita folga deles, sabe?”, questionou sobre a atuação dos agentes que fazem a segurança no entorno da residência do ex-presidente.

Outro morador relatou: “Pessoal, vocês estão sabendo que os guardas que ficam aqui na frente o Solar 3, tão multando carros que fazem o retorno sem dar sinal?”. Estas mensagens evidenciam a surpresa e a irritação com as multas aplicadas pela viatura que deveria estar focada na vigilância de Bolsonaro.

Em contrapartida, a administração do condomínio emitiu um comunicado aos residentes, reforçando a importância do respeito às normas de trânsito. O texto citou ao menos dois moradores por infrações como uso de celular ao volante e falta de sinalização, defendendo a atuação do Detran-DF e o cumprimento da lei.

Infrações Comuns e Suas Consequências

O comunicado da administração do condomínio enfatizou que o uso do celular ao volante e a falta de seta nas conversões são infrações comuns, previstas pelo Código de Trânsito Brasileiro, o CTB. Ambas as infrações geram multas pesadas e pontos na Carteira Nacional de Habilitação, a CNH.

Manusear ou segurar o celular enquanto dirige é classificado como infração gravíssima, resultando em multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH. Já a omissão em indicar com antecedência as conversões, mudanças de faixa ou o início de marcha é considerada infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos na carteira.

Diante dos registros de autuações, a orientação para os motoristas do condomínio foi reforçada: é crucial respeitar as normas de trânsito para evitar essas penalizações. A fiscalização, que agora inclui a viatura da PM, parece estar mais rigorosa nas vias internas do residencial onde mora Jair Bolsonaro.

A Posição do Detran-DF

A reportagem buscou informações junto ao Detran-DF para obter mais detalhes sobre as ocorrências de multas no condomínio Solar de Brasília. O órgão é responsável por fiscalizar e aplicar as sanções relacionadas ao trânsito no Distrito Federal.

Aguardando resposta do Detran-DF, a matéria pode ser atualizada com dados adicionais sobre as autuações e o posicionamento oficial da entidade. A situação ilustra um conflito entre a necessidade de segurança do ex-presidente e o dia a dia dos moradores, impactado por essas ações de fiscalização.