Em Campinas, reunião da Polícia Federal poupou familiares das vítimas do voo 2283 da Voepass de ouvir o áudio da caixa-preta, com laudo pericial apontando falhas no degelo e futuros indiciamentos.

Os familiares das 64 vítimas da tragédia envolvendo o voo 2283 da Voepass foram poupados de ouvir o áudio da caixa-preta do avião durante uma reunião com a Polícia Federal (PF) na terça-feira, 30 de junho. O encontro, realizado em Campinas, interior de São Paulo, teve como objetivo a apresentação do laudo pericial sobre o acidente aéreo.

Em vez de reproduzir o som, a PF optou por ler a transcrição dos últimos minutos que antecederam a queda da aeronave. As conversas entre o piloto e o copiloto na cabine são cruciais para esclarecer dúvidas sobre o acionamento do sistema de degelo, uma das principais hipóteses da investigação sobre a falha que levou à tragédia.

O documento de 200 páginas ainda não foi formalmente juntado aos autos do processo, um procedimento que só ocorreria após a apresentação do conteúdo aos familiares dos mortos. Este laudo deverá ser a base do inquérito policial que apura os possíveis responsáveis pela queda do avoião, conforme informação divulgada por GERAL.

Detalhes do Laudo e Próximos Passos na Investigação

O laudo pericial, que servirá de alicerce para o inquérito policial, está previsto para ser concluído em até 30 dias, segundo Luciano Katarinhuk, advogado da associação de familiares das vítimas. Katarinhuk, que atua como assistente de acusação, afirmou que o texto contém elementos robustos que podem resultar em indiciamentos.

“Esse voo 2283 da Voepass não devia estar voando. Por que ele estava voando? Independentemente da participação, do erro, do equívoco também dos pilotos, caso seja apurado, mas existe ali a responsabilidade de quem colocou esse avião para voar, e isso está muito claro nas provas produzidas”, declarou o advogado.

Katarinhuk também informou que algumas pessoas que anteriormente foram ouvidas na condição de declarantes agora passarão a ser ouvidas como investigadas. A Polícia Federal, procurada para comentar as informações, não respondeu aos questionamentos, mantendo o espaço aberto para manifestações futuras.

Responsabilidades e a Luta por Justiça das Famílias

A presidente da associação de familiares, Fátima Albuquerque, mãe da médica Arianne Albuquerque, uma das passageiras da aeronave, também esteve presente na reunião. Ela enfatizou a importância da luta das famílias por justiça, buscando que comportamentos negligentes sejam coibidos no país.

“A nossa luta é para cessar esse tipo de comportamento no país, porque não foi um acidente, foi uma tragédia anunciada, foi uma construção de negligência”, afirmou Fátima Albuquerque, ressaltando o sentimento de que o ocorrido não foi um mero acaso, mas sim o resultado de uma série de falhas e irresponsabilidades.

Relembrando a Tragédia do Voo 2283 da Voepass

A tragédia do voo 2283 da Voepass aconteceu em 9 de agosto de 2024, marcando o quinto acidente aéreo mais fatal da história do Brasil. O avião, matrícula PS-VPB, decolou do Aeroporto Coronel Adalberto Mendes da Silva, em Cascavel, no Paraná, às 11h58, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

A aeronave era pilotada por Danilo Romano, de 35 anos, e Humberto de Campos Alencar e Silva, de 61 anos, como copiloto. A tripulação contava ainda com as comissárias de bordo Debora Soper Avila, 28, e Rubia Silva de Lima, 41. Os 58 passageiros haviam comprado passagens pela Latam, que comercializava os voos da Voepass, e muitos não sabiam que viajariam pela empresa regional.

O voo transcorreu sem aparentes problemas até pouco antes da queda. Três minutos antes do acidente, os pilotos avisaram a torre de comando em São Paulo que estavam no ponto ideal para iniciar a descida rumo a Guarulhos. Contudo, às 13h21, o avião começou a perder altitude repentinamente, caindo um minuto depois no condomínio Residencial Recanto Florido, em Vinhedo, interior paulista.

O acidente não deixou sobreviventes, resultando na morte dos 58 passageiros e dos 4 tripulantes, totalizando 62 mortos. Ninguém no solo se feriu, apesar da queda em uma área residencial.

O Trabalho Jornalístico: Minidocumentário sobre o Caso Voepass

No ano passado, o Metrópoles dedicou-se a investigar a fundo o caso do voo 2283 da Voepass. A equipe mergulhou nas informações disponíveis, entrevistou familiares das vítimas e apurou detalhadamente os acontecimentos desde o acidente até então.

O resultado desse extenso trabalho jornalístico foi um minidocumentário intitulado “A história do voo 2283”, que relembra os principais pontos e revelações sobre essa dolorosa tragédia aérea, buscando oferecer um panorama completo da investigação e do impacto nas vidas das famílias.

Perguntas Frequentes

Por que as famílias não ouviram o áudio da caixa-preta do voo 2283?

A Polícia Federal optou por poupar os familiares das vítimas do voo 2283 da Voepass de ouvir o áudio da caixa-preta do avião em uma reunião em Campinas, apresentando apenas a transcrição dos últimos minutos para evitar mais sofrimento.

Qual a principal hipótese da investigação sobre a queda do avião da Voepass?

Uma das principais hipóteses da investigação sobre a queda do voo 2283 da Voepass é a suspeita de falhas no sistema de degelo da aeronave, conforme o laudo pericial apresentado na reunião com os familiares.

O laudo pericial do voo da Voepass pode gerar indiciamentos?

Sim, o advogado da associação de familiares, Luciano Katarinhuk, afirmou que o laudo pericial, que deve ser concluído em 30 dias, traz elementos que podem resultar em indiciamentos de responsáveis pela queda do voo 2283 da Voepass.

Quem eram o piloto e copiloto do voo 2283 da Voepass?

A aeronave do voo 2283 da Voepass era comandada pelo piloto Danilo Romano, de 35 anos, e pelo copiloto Humberto de Campos Alencar e Silva, de 61 anos, que estavam entre as 62 vítimas do acidente.

Quando e onde ocorreu o acidente do voo 2283 da Voepass?

O acidente do voo 2283 da Voepass ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando a aeronave caiu no condomínio Residencial Recanto Florido, em Vinhedo, no interior de São Paulo, matando todos os 62 ocupantes.