O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teve acesso relâmpago a um documento sigiloso do Ministério Público Federal (MPF) apenas dois dias após a abertura de uma apuração preliminar sobre um negócio de R$ 500 milhões com a Caixa Asset, conforme relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF)[3][6].
O procedimento preliminar tratava da destituição de dois gerentes da Caixa Asset, Daniel Cunha Gracio e Maurício Vendruscolo, que se opuseram à compra de letras financeiras do Banco Master. A área técnica do banco estatal considerou a operação “arriscada” e “atípica”, recomendando o cancelamento da negociação, que não foi concretizada[3][6].
Mensagens recuperadas do celular de Vorcaro revelam que ele recebeu o registro da autuação da “notícia de fato” em 18 de julho de 2024, dois dias após a movimentação da Procuradoria da República no Distrito Federal, que abriu o caso em 16 de julho[3][4]. O documento foi enviado por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, aliado do banqueiro que recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para obter acesso a investigações sigilosas, intimidar adversários, planejar emboscadas e ocultar informações desfavoráveis ao grupo de Vorcaro[1][2].
O relatório da PF indica que Vorcaro “buscava compreender a natureza, o motivo e o andamento” dos procedimentos sigilosos em que seu nome aparecia como parte ou possível investigado. O ministro André Mendonça, relator das investigações no STF, tornou os arquivos públicos na semana passada[1][2].
Adicionalmente, a PF descobriu que uma servidora da Procuradoria da República no Maranhão acessou os documentos sigilosos, e os investigadores apuram se o acesso foi regular, ilegal (por invasão ou “hackeamento”) ou se houve franqueamento direto pela própria usuária[3][4]. A investigação também revela que o grupo de Vorcaro acessou indevidamente sistemas restritos da PF, do MPF e de organismos internacionais como o FBI e a Interpol[1][5].
O caso gerou crise na Caixa Asset e levou à abertura de uma auditoria pela Controladoria-Geral da União (CGU) na gestora[3]. A Justiça Federal do Distrito Federal instaurou o inquérito, que tramita sob sigilo[3][6].
Vorcaro, investigado por fraudes bilionárias relacionadas ao Banco Master, foi preso preventivamente em março de 2026 por ordem do ministro André Mendonça, que apontou indícios de uso de credenciais de terceiros para acessar bases sigilosas[5][8].
A área técnica da Caixa Asset barrou a negociação por considerá-la “arriscada” e “atípica”, e o documento afirmava que o Master não apresentava “clareza, efetividade e consistência em seus números”, tinha um modelo de negócios de “difícil compreensão” e representava “alto risco de solvência” para a instituição[3].
