O empresário venezuelano Alejandro Betancourt, peça-chave em um acordo bilionário de petróleo com os EUA, surge em e-mails dos controversos arquivos do pedófilo Jeffrey Epstein.
Um dos nomes por trás de um vultoso acordo de exploração de petróleo na Venezuela, o magnata Alejandro Betancourt, teve seu nome citado em e-mails revelados nos arquivos do falecido bilionário Jeffrey Epstein. A ligação vem à tona em meio à negociação que envolve o governo dos Estados Unidos e a Venezuela para a exploração de poços petrolíferos.
O contrato, firmado durante a administração de Donald Trump com o governo venezuelano, então liderado por Delcy Rodríguez, concede à empresa de Betancourt, a North American Blue Energy Partners (Nabep), uma concessão centenária para operar em 17 poços de petróleo. A empresa foi inclusive classificada pela gestão Trump como uma “operadora comprovada” e a “segunda maior produtora privada de petróleo da Venezuela”.
A controvérsia em torno de Betancourt não é recente. O empresário, que construiu grande parte de sua fortuna durante a era de Hugo Chávez (1999-2013), já enfrentou acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Agora, a conexão com os arquivos de Epstein adiciona uma nova camada de questionamentos ao seu perfil.
Detalhes da Concessão de Petróleo na Venezuela
O acordo entre a administração Trump e o governo venezuelano, que contou com o apoio do parlamento do país sul-americano, prevê termos significativos para a exploração petrolífera. A Nabep recebeu concessões válidas por 100 anos para operar em 17 campos de petróleo, cujas reservas são estimadas pela Casa Branca em aproximadamente 65 bilhões de barris.
Para os Estados Unidos, o negócio se mostra bastante vantajoso. A Nabep concedeu ao Departamento de Guerra americano uma participação de 35% nas ações de sua controladora, representando um valor potencial de centenas de bilhões de dólares em dividendos. Além disso, o Departamento de Estado dos EUA terá o direito de comprar 20% da produção, a preço de custo, de todos os campos operados pela Nabep, com preferência na aquisição dos 80% restantes.
Para garantir a conformidade e a governança, a maioria dos membros do conselho da Nabep deverá ser composta por cidadãos americanos. Segundo comunicado da Casa Branca, a empresa contará com auditores, advogados e consultores dos EUA, e o acordo será regido pela legislação americana. A expectativa é que a Nabep invista US$ 100 bilhões em infraestrutura petrolífera na Venezuela.
Nome de Betancourt em E-mails dos Arquivos Epstein
Os documentos liberados pelo governo americano sobre o caso do bilionário Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e tráfico de menores antes de sua morte na prisão em 2019, revelam comunicações que mencionam Alejandro Betancourt. Um dos e-mails, de setembro de 2012, foi enviado a Epstein pelo empresário venezuelano Francisco D’Agostino, parceiro de negócios de Betancourt e que já foi sancionado pelos EUA em 2021 por ajudar a Venezuela a contornar sanções petrolíferas.
A mensagem de D’Agostino propunha um encontro: “Alejandro Betancourt, meu parceiro de negócios, e eu estamos disponíveis para te encontrar na segunda-feira (19/11/2012). Podemos ter um almoço? Sua casa?”. Meses antes, em outubro de 2012, D’Agostino já havia enviado outra mensagem a Epstein com uma recomendação enfática: “Minha sugestão é que você encontre Alejandro Betancourt, dono do Derwick e Associados. Ele é muito interessante porque só tem 34 anos e tem mais de $3 bilhões em contratos com o governo venezuelano. Uma criança muito, muito interessante”.
Além de Betancourt, D’Agostino expressou desejo de apresentar a Epstein outras figuras influentes do cenário venezuelano, incluindo empresários, banqueiros e políticos, como o General Alejandro Andrade, então chefe do Tesouro e descrito como “um dos amigos mais próximos de Chavez”. Epstein, por sua vez, demonstrou interesse, pedindo uma “ideia aproximada de um roteiro de uma noite e dois dias para Caracas” para apresentar à sua equipe, embora não haja informações públicas de que a viagem tenha de fato ocorrido.
A Influência de Betancourt na Política Venezuelana
A trajetória de Alejandro Betancourt é marcada por uma ascensão meteórica no cenário econômico venezuelano, especialmente durante os anos do governo de Hugo Chávez, período em que acumulou grande parte de sua fortuna. As menções nos arquivos Epstein, particularmente os e-mails de Francisco D’Agostino, ressaltam a profunda rede de contatos e a influência que Betancourt e seu círculo exerciam.
D’Agostino não apenas destacou a impressionante fortuna e os contratos de Betancourt com o governo venezuelano, mas também a capacidade de apresentar Epstein a uma série de “influenciadores e tomadores de decisão” do país. Entre eles, seu próprio pai, Franco D’Agostino, descrito como uma figura-chave em eleições presidenciais passadas e detentor da licença para a única empresa de hospedagem de internet na Venezuela na época. Este contexto sublinha a complexidade e o poder das figuras envolvidas no acordo petrolífero e as conexões com o caso Epstein.
Perguntas Frequentes
Quem é Alejandro Betancourt?
Alejandro Betancourt é um magnata venezuelano, dono da empresa North American Blue Energy Partners (Nabep), que possui uma concessão de 100 anos para explorar petróleo na Venezuela. Ele é uma figura polêmica, com acusações de corrupção, e seu nome foi citado nos arquivos do bilionário Jeffrey Epstein.
Qual a relação de Betancourt com Jeffrey Epstein?
O nome de Alejandro Betancourt aparece em e-mails datados de 2012 nos arquivos de Jeffrey Epstein. Nesses e-mails, o parceiro de negócios de Betancourt, Francisco D’Agostino, propôs encontros com Epstein e o descreveu como um empresário muito interessante e influente na Venezuela.
O que prevê o acordo de petróleo entre EUA e Venezuela?
O acordo concede à Nabep, empresa de Betancourt, a exploração de 17 campos de petróleo na Venezuela por 100 anos. Em troca, o governo dos EUA recebe uma participação de 35% na empresa controladora da Nabep e tem direito de compra preferencial de 20% da produção a preço de custo, além de maioria de cidadãos americanos no conselho da empresa.
Quando o acordo de petróleo foi anunciado?
O acordo foi anunciado pelos governos de Donald Trump, dos EUA, e de Delcy Rodríguez, da Venezuela, durante a administração Trump, em um período de negociações e tensões políticas entre os dois países.
Por que a Venezuela assinou esse acordo?
A presidente interina Delcy Rodríguez justificou o acordo como “histórico” para a Venezuela, afirmando que o país carece de capacidade própria para explorar suas vastas reservas de petróleo e que o trato representa um caminho de diplomacia, cooperação e investimento para o bem-estar dos venezuelanos.
