Trump critica Brasil e diz que facções PCC e CV transformaram país em "centro de cocaína global"

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou críticas contundentes ao governo brasileiro, alegando que o país falhou no combate às poderosas facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). As declarações foram divulgadas em um documento anual enviado ao Congresso norte-americano na última terça-feira (15).

Neste relatório, Trump identifica nações consideradas importantes no trânsito ou produção de drogas ilícitas e avalia a performance de diversos governos. Segundo o documento, enquanto muitos países do Hemisfério Ocidental adotaram "medidas corajosas" contra o fluxo de drogas, o Brasil não conseguiu enfrentar o PCC e o CV.

O posicionamento de Trump destaca a visão de que essas organizações teriam transformado o Brasil em um "centro para os fluxos globais de cocaína", representando uma ameaça crescente à segurança mundial. O governo brasileiro, por sua vez, refutou veementemente as alegações, detalhando os esforços e a cooperação internacional no combate ao crime organizado.

As Acusações Diretas de Donald Trump contra o Brasil

No documento enviado ao Congresso dos EUA, Donald Trump não poupou palavras ao descrever a situação brasileira. Ele afirmou que o governo do Brasil "não conseguiu enfrentar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína".

Para o ex-presidente, essas organizações criminosas brasileiras representam uma "ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo". Trump ainda instou o governo brasileiro a "urgentemente adotar medidas agressivas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam". Vale lembrar que o Departamento de Estado americano já havia designado o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) em 28 de maio, com a medida entrando em vigor em 5 de junho.

Naquela ocasião, o então Secretário de Estado, Marco Rubio, enfatizou que PCC e CV estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, com redes que transcendem as fronteiras nacionais. A designação como FTO amplia as ferramentas disponíveis às autoridades dos EUA para aplicar sanções e tomar ações contra indivíduos e entidades ligadas a esses grupos.

A Contestação e os Esforços do Governo Brasileiro

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) do Brasil reagiu prontamente às críticas, divulgando uma nota em que refuta categoricamente as alegações de falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional. A pasta argumenta que a manifestação de Trump desconsidera os significativos esforços do Governo Federal.

Entre as ações destacadas está a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, que prevê penas mais severas para líderes de facções e cria mecanismos para asfixiar suas operações financeiras. Além disso, o MJSP mencionou as "dezenas de milhares de operações" de combate ao crime realizadas por forças federais, que resultaram em "bilhões de reais de prejuízo aos criminosos".

A nota brasileira também ressaltou as múltiplas ações implementadas em 2026 no âmbito do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio último, que visa sufocar economicamente as facções, fortalecer o sistema prisional, qualificar a investigação de homicídios e combater o tráfico de armas. O MJSP reiterou a "robusta cooperação já existente" entre Brasil e EUA e lembrou a proposta entregue pessoalmente pelo presidente Lula em 7/5/2026, em Washington, detalhando medidas conjuntas contra lavagem de dinheiro, compartilhamento de inteligência e combate ao tráfico de armas, aguardando resposta dos EUA.

Classificações e Contrastes no Relatório Americano

Apesar da forte crítica direcionada ao Brasil, o documento de Donald Trump não classificou o país como tendo "falhado de maneira demonstrável" em cumprir suas obrigações internacionais de combate às drogas. Essa classificação foi aplicada a nações como Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela, baseada nas leis norte-americanas.

Adicionalmente, o Brasil não figura na lista dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas, que inclui Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela. O relatório ressalta que essa classificação não implica necessariamente falta de cooperação ou de medidas de combate às drogas por parte do governo de um país.

Elogios e Críticas Seletivas na Análise de Trump

No mesmo documento, Donald Trump fez elogios a países com governos considerados mais próximos aos Estados Unidos, como Argentina, Equador e El Salvador. Houve também menções positivas sobre Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru, com o presidente americano citando mudanças recentes de governo nesses locais como um fator para a alteração na percepção do enfrentamento ao narcotráfico.

Por exemplo, Trump elogiou a eleição recente de Abelardo de la Espriella na Colômbia e o compromisso do novo presidente com uma campanha agressiva contra o cultivo de coca. Da mesma forma, manifestou apoio ao novo governo boliviano, sob o presidente Rodrigo Paz, eleito em 2025, e elogiou o compromisso da presidente peruana, Keiko Fujimori. Em contrapartida, o tom em relação a México e Canadá foi mais crítico, mesmo reconhecendo alguns esforços. Trump cobrou que o México adotasse medidas adicionais contra organizações narcoterroristas e que o Canadá fizesse mais para interromper o fluxo de fentanil e produtos químicos precursores.

Perguntas Frequentes

O que Donald Trump disse sobre o Brasil e o crime organizado?

Donald Trump criticou o governo brasileiro por, segundo ele, falhar em enfrentar o PCC e o Comando Vermelho, classificando o Brasil como um "centro para os fluxos globais de cocaína" e uma ameaça crescente à segurança mundial. As declarações foram feitas em um documento anual enviado ao Congresso dos EUA na última terça-feira (15).

Como o governo brasileiro respondeu às acusações de Trump?

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) do Brasil refutou as alegações de falha, citando a Lei Antifacção, o Programa Brasil contra o Crime Organizado, bilhões de reais de prejuízo aos criminosos e a robusta cooperação já existente com os EUA. O MJSP argumentou que as críticas desconsideram os esforços federais e uma proposta de cooperação entregue pessoalmente pelo presidente Lula aos EUA.

PCC e Comando Vermelho são considerados organizações terroristas pelos EUA?

Sim, o governo dos EUA, por meio do Departamento de Estado e de uma ordem executiva de Donald Trump, designou o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) em 28 de maio, com a medida entrando oficialmente em vigor em 5 de junho.

O Brasil foi classificado como país falho no combate às drogas no relatório de Trump?

Não. Apesar das críticas, o documento de Donald Trump não classificou o Brasil como um país que tenha "falhado de maneira demonstrável" em suas obrigações internacionais de combate às drogas, nem o incluiu na lista dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas.

Quais as principais medidas do Brasil contra o crime organizado, segundo o MJSP?

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) destacou a Lei Antifacção, de março de 2026, que endurece penas e asfixia operações financeiras. Mencionou também "dezenas de milhares de operações" com bilhões de reais de prejuízo aos criminosos e o Programa Brasil contra o Crime Organizado, de maio último, que fortalece o sistema prisional e a investigação de homicídios.