Mesmo com subsídios bilionários e isenções, o diesel e a gasolina continuam caros, aumentando a pressão sobre o governo Lula antes da eleição de 2026.
A menos de quinze dias do primeiro turno das Eleições de 2026, o governo federal enfrenta uma crescente pressão devido à escalada dos preços dos combustíveis. O cenário é agravado pelo conflito no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos, Irã e Israel, iniciado no fim de fevereiro deste ano, e impacta diretamente o valor do petróleo no mercado internacional.
Apesar de uma série de medidas e injeções bilionárias para tentar baratear o custo final ao consumidor brasileiro, a maioria dos combustíveis registrou alta. Somente o etanol teve uma redução no preço médio de revenda no período, enquanto diesel e gasolina acumulam aumentos significativos, gerando preocupação na esfera econômica e política.
Essa elevação nos valores, especialmente do óleo diesel, tem um papel crucial na composição da inflação, pois encarece diretamente o custo do frete e, consequentemente, o preço de diversos produtos. O impacto financeiro se soma à proximidade da votação, colocando o tema dos combustíveis no centro do debate eleitoral.
Medidas Bilionárias para Conter a Alta dos Combustíveis
Para mitigar os efeitos da disparada do petróleo, o governo implementou diversas ações, buscando conter o impacto inflacionário. Inicialmente, um subsídio foi oferecido aos principais combustíveis. Em 12 de março, houve uma subvenção direta de R$ 0,32 por litro de diesel, destinada a produtores e importadores, e a isenção das alíquotas de PIS/Cofins sobre a importação e comercialização do diesel, com a mesma redução de R$ 0,32 por litro.
Em 8 de abril, Decretos nº 12.923/2026 e 12.924/2026 zeraram as alíquotas de PIS/Cofins para o biodiesel importado e comercializado, gerando uma economia estimada de R$ 0,15 por litro de biodiesel puro. Em julho, uma Medida Provisória instituiu a concessão de subvenção econômica de R$ 0,44 por litro para a gasolina.
Mais recentemente, em 9 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Medida Provisória 1.391/2026, que autorizou uma nova subvenção econômica de R$ 1 por litro de óleo diesel de uso rodoviário. Para o período de 10 de setembro a 9 de outubro de 2026, foi determinada a isenção total de PIS/Pasep e Cofins sobre o etanol hidratado, aliviando R$ 0,19 por litro, e uma redução temporária de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina.
Ainda neste mês, uma Medida Provisória concedeu crédito extraordinário de R$ 6,6 bilhões para custear a subvenção à importação e produção de combustíveis. Desse total, R$ 5,607 bilhões foram destinados à subvenção econômica do óleo diesel de uso rodoviário, e R$ 998 mil para outros combustíveis derivados de petróleo. Os dados são baseados em levantamentos semanais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Preços em Alta: O Impacto nos Bolsos do Brasileiro
Apesar de todos os esforços governamentais, os preços médios de revenda dos combustíveis registraram aumentos significativos desde o início do conflito. A gasolina comum teve uma elevação de 3,98% entre 28 de fevereiro e a semana encerrada em 12 de setembro, passando de R$ 6,28 para R$ 6,53 por litro.
O óleo diesel sofreu um impacto ainda maior, com uma variação de 8,62% no mesmo período, subindo de R$ 6,03 para R$ 6,55 por litro. O diesel S10, por sua vez, registrou a maior alta, de 14,45%. Em contraste, o etanol teve uma queda de 12,74%.
Em março deste ano, a inflação atingiu 0,88%, o maior índice mensal, puxado principalmente pelos derivados de petróleo. O grupo transportes, que inclui os combustíveis, subiu 1,64%, com a gasolina aumentando 4,59% e o diesel 13,9%. É importante notar que, sem os subsídios, a alta seria ainda mais acentuada; o diesel, por exemplo, chegou a valer R$ 7,45 no fim de março, antes de se estabilizar nos atuais R$ 6,55.
Desafios dos Subsídios: Por Que a Alta Não Cede?
Economistas apontam que os subsídios, embora importantes, enfrentam barreiras que impedem uma contenção total dos preços. Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), lista fatores como a dependência de importações, especialmente no caso do diesel, os tributos, os custos de distribuição e margens de revenda, o repasse parcial ou defasado dos subsídios aos postos e distribuidoras, além do aumento da demanda e redução da oferta internacional.
Segundo Oliveira Jr., “o subsídio reduz parte do impacto, mas pode não compensar toda a elevação dos custos. Os dados da ANP mostram isso: enquanto o etanol caiu 12,74%, o diesel S10 subiu 14,45%, indicando que os combustíveis mais dependentes do mercado internacional continuam mais pressionados”.
Claudio Felisoni, economista e professor da FIA Business School, corrobora essa visão, explicando que os subsídios conseguem apenas atenuar parcialmente os aumentos, mas não eliminam o problema central da dependência brasileira de importações de diesel. Felisoni complementa que “o aumento dos custos de transporte, que refino, ampliam a pressão sobre os preços finais. Além disso, eu acredito, quanto maior e mais prolongado, obviamente, o conflito, maior precisa ser o gasto de desembolso público para manter os preços controlados, tornando o subsídio fiscalmente mais difícil de sustentar, dadas as condições fiscais que nós já sabemos”.
Pressão Eleitoral e Cenário Político para Lula
Os preços elevados dos combustíveis representam uma grande preocupação para o presidente Lula, que busca a reeleição nas Eleições de 2026. Com a votação do primeiro turno marcada para o próximo dia 4 de outubro, a questão impacta diretamente a percepção do eleitorado sobre a economia e o custo de vida.
Pesquisas eleitorais recentes mostram um cenário apertado, com Lula em empate técnico com seu principal rival, Flávio Bolsonaro (PL), que aparece numericamente à frente em alguns levantamentos, dentro da margem de erro. A crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF), vista como aliada do petista, também gera perdas eleitorais e políticas, cujos danos à imagem da Corte podem respingar na campanha lulista.
A guerra no Oriente Médio, que iniciou em 28 de fevereiro, elevou o preço do barril de petróleo tipo Brent – referência internacional – de cerca de US$ 70 para mais de US$ 120. Em meio a momentos de arrefecimento e recrudescimento, a volatilidade dos preços internacionais continua a ser um desafio persistente para a estabilidade econômica e política brasileira.
Perguntas Frequentes
Qual o motivo da alta dos combustíveis no Brasil?
A principal causa da alta dos combustíveis é a guerra no Oriente Médio, que começou no fim de fevereiro deste ano. O conflito entre Estados Unidos, Irã e Israel elevou o preço do barril de petróleo Brent no mercado internacional, impactando diretamente os valores de diesel e gasolina no Brasil.
Quais medidas o governo Lula adotou para segurar os preços?
O governo Lula implementou diversas medidas, incluindo subsídios diretos ao diesel e à gasolina, isenções de PIS/Cofins para diesel, biodiesel e etanol, e reduções temporárias nas alíquotas de impostos. Recentemente, um crédito extraordinário de R$ 6,6 bilhões foi concedido para custear essas subvenções.
Os subsídios governamentais estão funcionando para conter a alta?
Os subsídios estão reduzindo parte do impacto da alta internacional, evitando que os preços subissem ainda mais. No entanto, eles não eliminam o problema completamente devido à dependência de importações, outros custos de produção e distribuição, e o repasse parcial aos consumidores, segundo economistas.
Como a alta dos combustíveis afeta a eleição de 2026?
A alta dos combustíveis é uma grande preocupação para a campanha de reeleição do presidente Lula. O tema impacta o custo de vida dos brasileiros e a inflação, sendo um fator determinante para o eleitorado a poucos dias do primeiro turno das Eleições de 2026, em 4 de outubro.
