Do desmoronamento de escadarias à ocupação precária, ícone do Plano de Avenidas de Prestes Maia vira abrigo e risco em ponto vital da Marginal Tietê.

Para quem passa pela Marginal Tietê, a Ponte das Bandeiras, um ícone da capital paulista e parte vital do Corredor Norte-Sul, revela um cenário de abandono chocante. A estrutura, que conecta Santana ao centro da cidade, exibe sinais de profunda degradação.

Apenas dois anos após uma intervenção que custou milhões aos cofres públicos, a ponte sofre com rachaduras visíveis, pichações por toda parte e uma escadaria desmoronando, expondo os riscos e a falta de zeladoria em uma via tão importante.

A situação atual da ponte, por onde milhares de veículos passam diariamente, contrasta drasticamente com sua relevância histórica e sua função no intenso tráfego da cidade, levantando questionamentos sobre a manutenção de obras de infraestrutura.

Ponte das Bandeiras: Sinais Visíveis de Abandono e Deterioração

A deterioração da Ponte das Bandeiras é evidente. Uma das laterais da cabeceira na margem direita do Rio Tietê apresenta sinais claros de desmoronamento, com uma escadaria que dá acesso à pista expressa da marginal pendendo em direção contrária à ponte. No mesmo local, um tapume improvisado, mal fixado, não consegue disfarçar a entrada para o interior da estrutura, onde se acumula uma grande quantidade de sujeira.

Rachaduras e pichações completam o quadro de negligência que afeta a ponte. O cenário de abandono não condiz com a importância da Ponte das Bandeiras como um dos principais pontos de ligação da capital e componente essencial do Corredor Norte-Sul, impactando a mobilidade urbana de São Paulo.

Ocupação Irregular e Riscos Dentro da Estrutura

O interior da Ponte das Bandeiras se transformou em abrigo precário para pessoas em situação de rua. O local, descrito como uma espécie de “calabouço” na fonte, já foi ocupado por dezenas de indivíduos que chegavam a pagar aluguel a usurpadores por cômodos improvisados com paredes de madeira e estrados. Atualmente, o espaço é marcado por fios soltos, móveis e entulho, apresentando um risco latente de incêndio e, consequentemente, de morte.

No lado oposto do rio, o cenário de ocupação persiste. Buracos abertos na parede da pista sentido Ayrton Senna da Marginal Tietê revelam moradias improvisadas. A base da torre também é ocupada, com fiação exposta. Nas escadarias que levam a essas habitações precárias, pichações ameaçam usuários de drogas que utilizam o local para suas necessidades fisiológicas.

Legado Histórico e o Projeto de Prestes Maia

Além de sua função no tráfego, a Ponte das Bandeiras possui um significativo caráter histórico para São Paulo. A estrutura foi inaugurada em 25 de janeiro de 1942, como parte das celebrações do aniversário da cidade, durante a gestão do então prefeito Prestes Maia.

A ponte fazia parte do controverso Plano de Avenidas, um projeto rodoviarista que promoveu a ocupação das várzeas e definiu grande parte da urbanização da capital, priorizando o fluxo de veículos. Com torres monumentais de 25 metros de altura, a ponte foi concebida inicialmente como ponto de observação para as provas de remo que ocorriam no Rio Tietê, ainda limpo na primeira metade do século passado. Posteriormente, as torres foram usadas para monitorar o trânsito pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), antes do atual estado de abandono.

Prefeitura de São Paulo: Obras e Ações de Zeladoria

Questionada sobre a situação, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) informou que a obra da Ponte das Bandeiras, que contemplou a recuperação estrutural, do pavimento e o rebaixamento das pistas da Marginal, foi entregue em março de 2024. Este projeto recebeu um investimento de R$ 68,1 milhões. A Siurb acrescentou que uma nova vistoria técnica será realizada no local para avaliar os problemas atuais.

A Secretaria Municipal das Subprefeituras afirmou que realiza a limpeza no entorno da ponte e no escadão de acesso à Marginal Tietê. Já o Serviço Especializado de Abordagem Social (Seas) da região do Bom Retiro realiza monitoramento semanal, e em uma quinta-feira (17/9), uma equipe abordou sete pessoas, das quais duas aceitaram encaminhamento para Centros de Acolhida para Adultos.

Complementando as ações, o Consultório na Rua faz visitas semanais à região da ponte e seu entorno para fortalecer o acolhimento e a assistência à saúde de pessoas em uso abusivo de álcool e outras drogas. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) assegurou que mantém patrulhamento ostensivo 24 horas e que as ações de zeladoria, segurança e assistência social serão reforçadas na área.

Perguntas Frequentes

Qual é a situação atual da Ponte das Bandeiras em São Paulo?

A Ponte das Bandeiras, uma das principais vias de ligação em São Paulo, encontra-se em estado de degradação e abandono, com rachaduras, pichações, sujeira e até uma escadaria desmoronando. A estrutura é utilizada como abrigo precário por pessoas em situação de rua, apresentando riscos de incêndio.

Quanto custou a obra de recuperação da Ponte das Bandeiras e quando foi entregue?

Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), a obra de recuperação estrutural da Ponte das Bandeiras, que incluiu pavimentação e rebaixamento de pistas, teve um custo de R$ 68,1 milhões e foi entregue em março de 2024.

Qual a importância histórica da Ponte das Bandeiras para São Paulo?

A Ponte das Bandeiras foi inaugurada em 25 de janeiro de 1942 pelo prefeito Prestes Maia, como parte do monumental Plano de Avenidas. Originalmente, servia como ponto de observação para provas de remo no Rio Tietê e, posteriormente, para monitoramento de trânsito pela CET.

Quais medidas a Prefeitura de São Paulo está tomando em relação à ponte?

A Siurb prometeu uma vistoria e a Secretaria das Subprefeituras realiza limpezas. Equipes do Seas e do Consultório na Rua atuam na assistência social a pessoas em situação de rua, e a Guarda Civil Metropolitana reforçou o patrulhamento e as ações de zeladoria na região da ponte.