A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a ligação entre o óbito de Thais de Araujo Tavares em 2022 e a rede clandestina de anabolizantes de Roberto Carlos Pereira de Carvalho, o 'Jiraiya'.

Em 26 de maio de 2022, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Samambaia Norte, no Distrito Federal, foi palco de uma corrida contra o tempo para salvar Thais de Araujo Tavares. Aos 29 anos, ela deu entrada com queixas severas de falta de ar e fortes dores pélvicas, sintomas atribuídos ao uso de anabolizantes de origem clandestina.

As substâncias teriam sido produzidas no laboratório New Science, parte do império ilegal de Roberto Carlos Pereira de Carvalho, mais conhecido como 'Jiraiya', o 'mafioso das bombas'. O caso da morte de Thais se tornou um ponto crucial nas investigações da Operação Narciso, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

Quatro anos após o falecimento de Thais, a apuração sobre a origem dos insumos que causaram seu colapso ligou seu trágico fim diretamente às descobertas da Operação Narciso, coordenada pela Delegacia de Combate aos Crimes Contra o Consumidor e Fraudes (Corf) da PCDF.

Detalhes da morte por anabolizantes clandestinos

O histórico clínico inicial de Thais revelou o colapso repentino de uma jovem sem problemas de saúde preexistentes, que frequentava academias de musculação. Devido à gravidade, ela foi transferida urgentemente pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Regional de Ceilândia (HRC).

Na unidade hospitalar, com pupilas dilatadas e um quadro evoluindo para pneumonia atípica, Thais sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu, vindo a óbito às 5h30 de 27 de maio de 2022. O laudo cadavérico, complementado por exames laboratoriais, apontou insuficiência respiratória aguda devido a tromboembolismo pulmonar em uma pessoa com cardiopatia grave.

Na residência da vítima, peritos apreenderam frascos de enantato, oxandrolona e clembuterol – uma substância de uso veterinário. Exames toxicológicos também confirmaram a presença de etanol e benzodiazepínicos no organismo da jovem.

O império de anabolizantes de Jiraiya

Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como 'Jiraiya', é apontado pela PCDF como o chefão de uma das maiores e mais audaciosas redes de tráfico de anabolizantes e medicamentos proibidos do Brasil. Sua organização clandestina faturava cerca de R$ 500 mil líquidos por mês.

A rede de Jiraiya mantinha laboratórios espalhados por São Paulo, Paraíba, Distrito Federal, Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, no Paraguai. Para escapar da fiscalização, ele vivia em constante fuga, alugando mansões de alto padrão onde instalava os laboratórios e contratava terceiros para a produção, evitando contato direto com as substâncias.

Jiraiya, que foi preso preventivamente no Paraguai, ostentava uma vida de luxo, com frequentes estadias em hotéis chilenos e um bunker na fronteira paraguaia, enquanto movimentava até R$ 5 milhões bloqueados pela Justiça.

Riscos e a Operação Narciso contra produtos ilegais

A marca principal do esquema de Jiraiya, a New Science, patrocinava atletas de fisiculturismo, nutricionistas que prescreviam os anabolizantes mediante propina e até influenciadores. Os produtos eram negociados diretamente pelo Instagram, e a matéria-prima vinha da Índia, China e Paraguai, muitas vezes escondida em peças de motocicletas para driblar a fiscalização.

Para maximizar lucros, os insumos eram 'cozidos' em condições insalubres e misturados a óleos de cozinha, semente de uva e arroz. Substâncias veterinárias como clembuterol e diuréticos eram adicionadas sem constar nos rótulos. A falta de higiene nos processos causava reações alérgicas graves, abscessos, tromboses e infecções generalizadas, que levaram usuários a óbito.

A Operação Narciso desarticulou essa complexa teia, cumprindo mandados e apreensões em oito estados brasileiros e expondo o perigo invisível que os anabolizantes clandestinos representam para a saúde pública.

Perguntas Frequentes

Quem é Jiraiya, o 'mafioso das bombas'?

Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como 'Jiraiya', é apontado pela PCDF como o líder de uma vasta rede criminosa de tráfico e produção clandestina de anabolizantes e medicamentos proibidos, com faturamento mensal de R$ 500 mil líquidos e laboratórios no Brasil e Paraguai.

Qual a relação da morte de Thais de Araujo Tavares com anabolizantes?

Thais de Araujo Tavares morreu em maio de 2022, no Distrito Federal, após usar anabolizantes clandestinos da marca New Science, que, quatro anos depois, foi ligada à rede criminosa de 'Jiraiya'. A causa da morte foi insuficiência respiratória aguda decorrente de tromboembolismo pulmonar.

O que foi a Operação Narciso?

A Operação Narciso, deflagrada pela PCDF, foi uma ação que desarticulou a complexa organização criminosa de 'Jiraiya', focada na produção e distribuição de anabolizantes ilegais. A investigação revelou a conexão entre a morte de Thais e os produtos da rede.

Quais os perigos dos anabolizantes clandestinos?

Anabolizantes clandestinos, produzidos sem controle sanitário e com insumos de baixa qualidade ou contaminados (misturados com óleos de cozinha, substâncias veterinárias), podem causar sérias reações alérgicas, abscessos, tromboses, infecções generalizadas e, em casos graves, levar ao óbito, como no caso de Thais.