Condições extremas de calor e frio afetam o funcionamento de órgãos vitais como cérebro e coração, exigindo socorro imediato para evitar riscos graves.
O corpo humano funciona em um equilíbrio delicado, e a temperatura corporal ideal é um fator crucial para a manutenção da saúde. Geralmente, essa temperatura varia entre 36,5 ºC e 37,2 ºC. No entanto, quando há uma alteração drástica, seja para cima ou para baixo, o organismo pode sofrer consequências severas.
Quedas ou aumentos repentinos na temperatura podem desencadear quadros de hipotermia ou hipertermia, respectivamente. Ambas as condições representam emergências médicas e, se não tratadas rapidamente, podem levar a complicações sérias, incluindo danos a órgãos vitais e risco de morte.
Entender como o corpo reage a essas variações e quais são os sintomas de alerta é fundamental para buscar ajuda a tempo. Especialistas explicam os perigos e as medidas que devem ser tomadas em cada situação para proteger a saúde e a vida.
Os perigos da hipotermia e seus efeitos no organismo
Quando a temperatura corporal cai drasticamente abaixo do normal, o corpo tenta, inicialmente, reter calor. Isso ocorre através da contração dos vasos sanguíneos da pele e do surgimento de tremores. Se essas tentativas não forem suficientes para restabelecer o equilíbrio, órgãos essenciais começam a funcionar mais lentamente.
Nesse estágio, o cérebro, o coração e o sistema respiratório são diretamente afetados. O indivíduo pode apresentar confusão mental, sonolência e, em casos mais avançados, perda de consciência. A médica emergencista Nathalia Serrato, do Hospital DF Star, em Brasília, alerta para os riscos cardíacos. “O coração também sofre bastante. Os batimentos ficam mais lentos e, nos casos graves, podem surgir arritmias e até parada cardíaca”, explica.
Hipertermia: quando o calor extremo vira uma ameaça
Por outro lado, em situações de calor excessivo, o corpo reage tentando eliminar o calor. Isso se manifesta através do aumento da circulação sanguínea e da produção de suor. Contudo, quando o coração trabalha excessivamente para essa tarefa e há uma perda contínua de água e sais minerais, a situação pode se agravar.
A perda de líquidos e eletrólitos pode levar à queda de pressão e a um comprometimento da circulação sanguínea. O cardiologista Armindo Jreige, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, destaca a vulnerabilidade do cérebro. “[Em casos de calor extremo], o cérebro é especialmente vulnerável, podendo ocorrer confusão, convulsões, perda de consciência e coma. Em quadros graves, também podem ser comprometidos rins, fígado, músculos, coração e o sistema responsável pela coagulação do sangue”, detalha o especialista.
Qual condição é mais grave: hipotermia ou hipertermia?
Segundo os especialistas, não há uma condição que seja inerentemente mais grave que a outra. Ambas, a hipotermia e a hipertermia, podem ter consequências severas se não houver um tratamento adequado. A falência de órgãos e a morte são riscos presentes nos dois cenários.
A médica Nathalia Serrato esclarece que “Nos dois extremos, o problema acontece quando o organismo perde a capacidade de manter sua temperatura dentro de uma faixa segura. A gravidade depende principalmente de quanto a temperatura se afastou do normal, por quanto tempo e das condições de saúde da pessoa”. Embora a hipotermia geralmente progrida de forma mais lenta e reduza a necessidade de oxigênio de órgãos, a hipertermia grave é preocupante pela sua rápida evolução, especialmente se associada a esforço físico ou desidratação, conforme apontado por Armindo Jreige.
Como identificar e agir em casos de mudança brusca de temperatura corporal
Grupos específicos demandam atenção redobrada diante de variações extremas de temperatura. Idosos, crianças pequenas, pessoas com doenças cardíacas ou neurológicas, indivíduos com dificuldade de locomoção e aqueles expostos a temperaturas extremas por longos períodos são os mais vulneráveis. A médica Nathalia Serrato enfatiza que “Temperaturas corporais extremas podem evoluir rapidamente e precisam ser tratadas como uma emergência médica”.
Sinais de alerta incluem confusão mental, sonolência excessiva, desmaio, convulsões, dificuldade para respirar, dor no peito ou perda de consciência. Ao identificar qualquer um desses sintomas, é crucial agir imediatamente. As principais orientações são: acionar o serviço de emergência, manter a pessoa em local seguro e acompanhada, e nunca oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos pela boca se a pessoa estiver inconsciente. Em caso de falta de respiração, realizar manobras de ressuscitação cardiopulmonar conforme instruído pela emergência. Evite soluções caseiras ou medicamentos sem orientação, principalmente com sinais neurológicos ou cardiovasculares. Nathalia Serrato conclui: “Um ponto também importante é que não devemos olhar apenas para o número mostrado no termômetro. O comportamento e o estado geral da pessoa são fundamentais”.
Perguntas Frequentes
Qual a temperatura corporal normal em adultos?
A temperatura corporal normal para um adulto saudável geralmente varia entre 36,5 ºC e 37,2 ºC, dependendo de fatores como o local da medição e o horário do dia.
Quais são os principais sintomas da hipotermia?
Os principais sintomas de hipotermia incluem tremores incontroláveis, confusão mental, sonolência, batimentos cardíacos lentos e, em casos graves, arritmias, perda de consciência e até parada cardíaca.
Quais órgãos são mais afetados pela hipertermia?
Na hipertermia, o cérebro é especialmente vulnerável, podendo levar a confusão, convulsões e coma. Outros órgãos como rins, fígado, músculos, coração e o sistema de coagulação sanguínea também podem ser severamente comprometidos.
É mais perigoso ter hipotermia ou hipertermia?
Ambas as condições são igualmente perigosas e podem levar a consequências graves, incluindo falência de órgãos e morte. A gravidade depende de fatores como o grau e a duração da alteração de temperatura, além da saúde geral do indivíduo.
O que fazer ao suspeitar de hipotermia ou hipertermia?
Em caso de suspeita de hipotermia ou hipertermia, a primeira medida é acionar imediatamente o serviço de emergência. Enquanto aguarda ajuda, mantenha a pessoa em segurança, acompanhada e evite oferecer qualquer coisa pela boca se ela estiver inconsciente. Não use soluções caseiras ou medicamentos sem orientação médica.
